AL em 2026: o que é ruído, o que é risco, o que é oportunidade
Artigo 05 Janeiro de 2026 · Cristina Aguilar Póvoas
Artigo 05 Janeiro de 2026 · Cristina Aguilar Póvoas
O debate em torno do Alojamento Local voltou a intensificar-se. Notícias, propostas europeias, anúncios políticos e interpretações apressadas criam um ambiente onde é fácil confundir perceção com realidade.
Em 2026, o maior risco para quem explora Alojamento Local não é necessariamente a legislação. É decidir com base em ruído.
Para além do ruído e da especulação, há um outro tipo de risco real que pode afetar decisivamente o valor, a segurança e a liquidez de um imóvel: as fragilidades estruturais expostas pelo mau tempo e a importância da reabilitação e da resiliência do edificado. Pode explorar este tema no artigo “Mau tempo e imobiliário em Portugal: reabilitação e resiliência”.
Este artigo não pretende prever o futuro nem alarmar. O objetivo é simples: separar o que já está em vigor, o que está a ser preparado e o que, para já, é apenas especulação.
Há hoje três pontos claros para quem explora AL na Área Metropolitana de Lisboa:
O AL é uma atividade regulada, sujeita a decisões nacionais e municipais.
A fiscalização existe e tende a ser mais sistemática, sobretudo em zonas de maior pressão habitacional.
A lógica de exceção permanente terminou. O AL é tratado como atividade económica com impacto urbano.
Nada disto é novo. O que mudou foi o enquadramento político europeu, que reforça a atenção à habitação como tema estrutural.
A nível europeu, há um foco crescente na recolha de dados, transparência e articulação entre plataformas, municípios e Estados.
Isto não significa proibição automática nem fim do Alojamento Local. Significa maior capacidade de leitura e decisão por parte dos Estados.
Em Portugal, discute-se a incorporação destas orientações em legislação nacional, bem como ajustes fiscais e incentivos ligados à habitação permanente e à requalificação de ativos.
Aqui, o ponto-chave é este: as decisões não são cegas nem instantâneas. São graduais e com margem de adaptação.
Ruído é tudo o que transforma cenários possíveis em certezas previsíveis.
Ruído são manchetes que falam em “fim do AL” sem distinguir territórios, tipologias ou perfis de investimento.
Ruído é decidir vender ou manter apenas porque “vai mudar tudo”.
Em mercados maduros, decisões precipitadas tendem a destruir valor.
Para muitos proprietários, a questão não é continuar ou sair do Alojamento Local.
É perceber se o imóvel continua alinhado com o seu objetivo patrimonial.
Em 2026, surgem três caminhos racionais:
manter o AL, com gestão ajustada e leitura realista do risco
estabilizar o ativo através de outras formas de exploração
fechar um ciclo de investimento de forma planeada e bem posicionada
A oportunidade está em decidir com método, não em reagir.
Nota final
Este artigo levanta mais perguntas do que respostas absolutas. E isso é intencional.
Cada imóvel, cada zona e cada proprietário vivem realidades diferentes.
Se explora Alojamento Local e quer perceber como este contexto se aplica ao seu caso concreto, pode falar comigo diretamente.